Morrigan, Deusa dos conflitos; cuida dos corações aflitos.
Quando eu andar pelo vale sombrio, segura minhas mãos na escuridão.
Que o sangue que escorre pelo fio da tua espada seja derramado em nome da justiça.
Não me deixa só.
Em meio ao mundo em que muitos temem mencionar teu nome por falta de coragem e pureza de coração, continua cantando tua canção aos meus ouvidos, pois são os brados da tua voz que me levam pelos caminhos mais tortuosos sem me ferir.
Sê a mãe que me acolhe quando retorno do campo de batalha com vestimentas rotas e a face suja.
Me dá força para continuar.
Que assim seja.
E assim será.
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Inquisição
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Ontem, quando acordei, uma tempestade se formava. Não... não estou falando de tempestade em sentido de metáfora. E sim daquelas tempestades que parecem varrer tudo, com grandes nuvens negras que tomam conta do céu aos poucos... ondas com espuma.
Estava só. Olhava pela janela, e perdi alguns minutos contemplando aquilo que penso ser a maior prova de força da natureza.
Água limpa tudo...cura todos os males. Vem com a força de uma enxurrada e leva tudo o que temos. Particularmente, acredito que quando me exponho à chuva, minhas forças se renovam.
Mas eu não podia olhar para o milagre que se aproximava.
Tinha que correr.
Tenho estado longe de mim mesma a tempo demais. São raras às vezes em que posso, por exemplo, admirar as folhas balançando.
Não venham tirar de mim o restinho do que tenho. Deturpam minha integridade... invadem meus pensamentos... substituem meus princípios... questão de sobrevivência, e não de vivência.
Vestí-me e antes de sair, olhei para o lado. Sim, do lado da porta de minha casa... meu cetro... minhas adagas... pedras... caldeirão. Minha fé cheia de poeira. E percebi que não era apenas nos objetos. A poeira está dentro de mim.
Meu manto negro guardado dentro de um roupeiro, ao lado do da minha filhinha (E como é prazeroso fazer nossos rituais juntas! Aquelas pequenas mãos pegando suas rodelas de maçã... erguendo e dizendo: "mãezinha do céu, cuida de todos os teus filhinhos!"), talvez seja a maior prova de tudo isto. Ensinei meus filhos a chamar a Lua de "Mãezinha do Céu" desde que aprenderam a falar. A única coisa que não se pode tirar de uma pessoa é a fé, seja ela no que for.
Foi correndo até o trabalho que pensei em como isto tudo é semelhante a uma inquisição. E talvez fosse melhor ser queimada. Assim eu morreria. Porém, continuo viva de corpo. A única coisa que me consome é o tempo. E corro para a janela do prédio toda vez que ouço o barulho da água que bate no telhado...na estrada, nas folhas. Pelo menos poderei olhar, já que não me é permitido sentir. Não me comunico mais com o invisível. Tenho praticado auto-negligência.
A inquisição que acaba com mais uma sacerdotisa. O inquisitor: o tempo. Meu único inimigo. Poderoso, intransponível. Passa por mim, e às vezes nem vejo.
"E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo". (Trecho da Grande Exortação.)
Ó Grande Mãe... mãezinha! Tu que sabes de todas as coisas, e enxerga até o que não podemos ver... cuida de mim e dos que amo... e dos que não amo também... continuo sendo apenas tua filhinha... em silêncio... mas tua.
Estava só. Olhava pela janela, e perdi alguns minutos contemplando aquilo que penso ser a maior prova de força da natureza.
Água limpa tudo...cura todos os males. Vem com a força de uma enxurrada e leva tudo o que temos. Particularmente, acredito que quando me exponho à chuva, minhas forças se renovam.
Mas eu não podia olhar para o milagre que se aproximava.
Tinha que correr.
Tenho estado longe de mim mesma a tempo demais. São raras às vezes em que posso, por exemplo, admirar as folhas balançando.
Não venham tirar de mim o restinho do que tenho. Deturpam minha integridade... invadem meus pensamentos... substituem meus princípios... questão de sobrevivência, e não de vivência.
Vestí-me e antes de sair, olhei para o lado. Sim, do lado da porta de minha casa... meu cetro... minhas adagas... pedras... caldeirão. Minha fé cheia de poeira. E percebi que não era apenas nos objetos. A poeira está dentro de mim.
Meu manto negro guardado dentro de um roupeiro, ao lado do da minha filhinha (E como é prazeroso fazer nossos rituais juntas! Aquelas pequenas mãos pegando suas rodelas de maçã... erguendo e dizendo: "mãezinha do céu, cuida de todos os teus filhinhos!"), talvez seja a maior prova de tudo isto. Ensinei meus filhos a chamar a Lua de "Mãezinha do Céu" desde que aprenderam a falar. A única coisa que não se pode tirar de uma pessoa é a fé, seja ela no que for.
Foi correndo até o trabalho que pensei em como isto tudo é semelhante a uma inquisição. E talvez fosse melhor ser queimada. Assim eu morreria. Porém, continuo viva de corpo. A única coisa que me consome é o tempo. E corro para a janela do prédio toda vez que ouço o barulho da água que bate no telhado...na estrada, nas folhas. Pelo menos poderei olhar, já que não me é permitido sentir. Não me comunico mais com o invisível. Tenho praticado auto-negligência.
A inquisição que acaba com mais uma sacerdotisa. O inquisitor: o tempo. Meu único inimigo. Poderoso, intransponível. Passa por mim, e às vezes nem vejo.
"E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo". (Trecho da Grande Exortação.)
Ó Grande Mãe... mãezinha! Tu que sabes de todas as coisas, e enxerga até o que não podemos ver... cuida de mim e dos que amo... e dos que não amo também... continuo sendo apenas tua filhinha... em silêncio... mas tua.
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