Morrigan, Deusa dos conflitos; cuida dos corações aflitos.
Quando eu andar pelo vale sombrio, segura minhas mãos na escuridão.
Que o sangue que escorre pelo fio da tua espada seja derramado em nome da justiça.
Não me deixa só.
Em meio ao mundo em que muitos temem mencionar teu nome por falta de coragem e pureza de coração, continua cantando tua canção aos meus ouvidos, pois são os brados da tua voz que me levam pelos caminhos mais tortuosos sem me ferir.
Sê a mãe que me acolhe quando retorno do campo de batalha com vestimentas rotas e a face suja.
Me dá força para continuar.
Que assim seja.
E assim será.
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
sábado, 18 de janeiro de 2014
Aprendendo a ser mãe I
Eu já fui mãe de muita
gente.
Já interpretei uma mãe que
de tão ruim, mandou chamar o veterinário quando seu filho adotivo adoecera num
espetáculo chamado “O Menino Diferente” (Fontes Produções, 2003). Já
interpretei uma mãe excessivamente preocupada, em “O Menino do Dedo Verde”
(Fontes Produções, 2009). Já interpretei até uma mãe de 105 anos, que era os
olhos que tudo viam em uma fazenda nos tempos de escravidão em “Allahu-Akbar”
(Fontes Produções, 2002). Já interpretei uma matrona açoriana, chegando em
Itapuã no século XVIII com filhos e netos (Fontes Produções, 2003). Já
interpretei a mãe de um padre que foi possuída por demônios em “A Casa das
Sombras” (Fontes Produções, 2005/6). Já interpretei uma mãe caipira, bonachona
e histérica em “O Casamento na Roça” (Cia. do Riso, 2004). Sabem que eu já
interpretei até a mais famosa das mães? Em uma fase mais despreocupada, Maria
paria o menino Jesus em um Auto de Natal (Fontes Produções, 2004). Em uma fase
muito mais pesada e dolorida, Maria assistia à crucificação do mesmo menino
Jesus já crescido em uma Paixão de Cristo (Fontes Produções, 2006).
De todas estas mães, poderia
retirar duas conclusões: a primeira é “Nossa! Trabalhei um bom tempo com esta
tal Fontes Produções!”. A segunda é a de que poderia ter aprendido a ser mãe
antes mesmo de ter meus filhos de verdade, já que um nasceu em 2004 e o outro
em 2005.
É muito engraçada esta
relação que tenho com meus ex-colegas de teatro (pois faz mais de 6 anos que
não coloco os pés em um palco): lembro do rosto de cada um deles e de como me
olhavam nestes períodos. Embora fossem todos “marmanjos” e “marmanjas” (Uma das
atrizes que trabalhou comigo “conseguiu” ser minha filha em três espetáculos
diferentes! E dois outros atores eram homens com mais de 1,90m e voz bem grave,
imaginem...), lembro exatamente de como cada um deles me chamou de mãe.
Lembro também do que mais me
marcou. Quando interpretei Maria na Paixão, Mel Gibson havia lançado há um ano
a sua versão da história. E foi na Maria criada e dirigida por ele que me
apoiei. E como foi difícil! Assisti ao filme com meu filho mais velho em meu
colo, pois ele havia acordado no meio da noite em que eu estava fazendo um
laboratório, e eu havia o feito dormir novamente. Quando vi Maria enxergando no
homem que carregava a cruz o mesmo menino que caía e “ralava” o joelho, e se
dando conta de que agora não poderia ajudá-lo a levantar do chão, chorei por um
bom tempo olhando para meu filho. Entendi que por mais que cresçam, os filhos
continuam sendo os mesmos meninos e meninas para nós, mães. Já havia ouvido
muitas mães falarem isto, mas até ali, não havia vivenciado. E não adianta: há
coisas que só entendemos vivenciando. Quando o espetáculo acabava, não íamos
até a ressurreição. A última cena era a retirada do corpo da cruz e a entrega
dele em meu colo. Estava sentada no chão, amparada por outros personagens.
Deitavam meu colega em meu colo e eu enchia seu rosto de beijos. Beijos
desesperados de uma mãe que não conseguiu “juntar” seu filho quando ele caiu. A
cortina fechava e ficávamos ainda um bom tempo abraçados chorando. Foi uma
experiência muito forte.
Não sei exatamente o que
dela ficou em mim. Às vezes acredito que tenha sido uma boa dose de desespero.
Talvez uma ansiedade muito grande. A ânsia de impedir que um filho venha a
cair, para que eu não precise passar pela experiência de não poder juntá-lo.
Talvez minha preocupação
seja justamente por saber que todas as mães, e provavelmente eu também, em algum momento não conseguem
juntar seus filhos, e as caídas são inevitáveis. Nem minha própria mãe
conseguiu: quando tive que levantar de meu maior tombo, o fiz sozinha. De certa forma, penso que um dia terei que me conformar com isso.
Mas isto dói. E como.
As duas fotos da Pietá de Michelângelo que coloquei na postagem extraí do Google. Não sei quem são os autores. Se alguém souber, peço que por gentileza me informe nos comentários, para que eu possa editar a postagem com as informações de autoria.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Prevenção (Innocence of Muslims)
Proibiram a exibição do trailler de Innocence of Muslims...

Vou correndo comprar meu chador, ou hijab, dependendo do que decidirem... afinal, daqui há pouco vamos ser obrigadas a usar para evitar transtornos, não é mesmo?
(Será que vou ficar a "corramailinda"???)
Falando sério 1: Alguém aí já ouviu falar do dito popular "minha casa, minhas regras"? Pois parece que o Brasil não é casa de ninguém, mesmo.
Falando sério 2: Já imaginaram se uma muçulmana que gosta de mudar de cor de cabelo comete um crime? Estou imaginando o Fucker dizendo ao Sucker: "Não, não, parceiro. Esta não é a meliante. Ela é morena, e aqui na carteira de motorista não dá pra ver o cabelo, não deve ser ela"... afinal aqui quem cuida da perícia não são os coletadores de digitais do CSI, né???
Falando sério 3: Não sou preconceituosa, muito pelo contrário. Só que se eu fosse visitar ou morar no islã, cobraria minha cabeça com um véu com prazer, pois além de achar os tecidos deles muito lindos, também aprendi com a minha família que devo respeitar as regras e o código de conduta do local onde eu frequento. Se não quiser fazer isso, que me retire então (Este recado vai para as mulheres que vão visitar o oriente médio e reclamam de serem "obrigadas" a cobrir a cabeça: "obrigado é pau de arrasto, como diria minha avó". Não querem brincar, não desçam pro playground! - Ou lembrem que não é em todos os ambientes que é obrigatório o uso do véu.). Acredito em um mundo onde as pessoas podem se respeitar. Se somos obrigadas por uma lei do islã a usar véu em determinados lugares quando formos visitá-los ou morar lá; eles também tem que respeitar nossas leis se querem nos visitar ou morar aqui. Ninguém proibiu as moças islâmicas (aquelas lindaaaas) de se cobrirem na rua, mas mostrar as características físicas em documentação é fundamental. Aliás, não tem nem o que reclamar, se estivessem no país delas, em alguns locais não poderiam fazer a carteira de habilitação nem com véu na foto!
Falando sério 4: Ensino aos meus filhos que "respeito" é tratar aos outros como gostaria de ser tratado. O dito cujo que fez este filme pisou na bola. E feio. E colocou mais um monte de gente em risco por causa de uma falta de educação que é somente dele. Os EUA tinham mais era que entregar este cara as autoridades islâmicas, ao contrário de ficarem protegendo. Ou seria interessante causar todo um trnstorno mundial por causa de uma pessoa? Para ganhar uma batalha, precisamos ter algumas baixas. Podem ser poucas, mas se for interessante ter muitas, talvez o caminho mais rápido seja este.
E chega de falar sério, pois se for desenrolar tudo que penso sobre esta relação de coisas, vou ficar aqui até amanhã escrevendo.
Vou correndo comprar meu chador, ou hijab, dependendo do que decidirem... afinal, daqui há pouco vamos ser obrigadas a usar para evitar transtornos, não é mesmo?
(Será que vou ficar a "corramailinda"???)
Falando sério 1: Alguém aí já ouviu falar do dito popular "minha casa, minhas regras"? Pois parece que o Brasil não é casa de ninguém, mesmo.
Falando sério 2: Já imaginaram se uma muçulmana que gosta de mudar de cor de cabelo comete um crime? Estou imaginando o Fucker dizendo ao Sucker: "Não, não, parceiro. Esta não é a meliante. Ela é morena, e aqui na carteira de motorista não dá pra ver o cabelo, não deve ser ela"... afinal aqui quem cuida da perícia não são os coletadores de digitais do CSI, né???
Falando sério 3: Não sou preconceituosa, muito pelo contrário. Só que se eu fosse visitar ou morar no islã, cobraria minha cabeça com um véu com prazer, pois além de achar os tecidos deles muito lindos, também aprendi com a minha família que devo respeitar as regras e o código de conduta do local onde eu frequento. Se não quiser fazer isso, que me retire então (Este recado vai para as mulheres que vão visitar o oriente médio e reclamam de serem "obrigadas" a cobrir a cabeça: "obrigado é pau de arrasto, como diria minha avó". Não querem brincar, não desçam pro playground! - Ou lembrem que não é em todos os ambientes que é obrigatório o uso do véu.). Acredito em um mundo onde as pessoas podem se respeitar. Se somos obrigadas por uma lei do islã a usar véu em determinados lugares quando formos visitá-los ou morar lá; eles também tem que respeitar nossas leis se querem nos visitar ou morar aqui. Ninguém proibiu as moças islâmicas (aquelas lindaaaas) de se cobrirem na rua, mas mostrar as características físicas em documentação é fundamental. Aliás, não tem nem o que reclamar, se estivessem no país delas, em alguns locais não poderiam fazer a carteira de habilitação nem com véu na foto!
Falando sério 4: Ensino aos meus filhos que "respeito" é tratar aos outros como gostaria de ser tratado. O dito cujo que fez este filme pisou na bola. E feio. E colocou mais um monte de gente em risco por causa de uma falta de educação que é somente dele. Os EUA tinham mais era que entregar este cara as autoridades islâmicas, ao contrário de ficarem protegendo. Ou seria interessante causar todo um trnstorno mundial por causa de uma pessoa? Para ganhar uma batalha, precisamos ter algumas baixas. Podem ser poucas, mas se for interessante ter muitas, talvez o caminho mais rápido seja este.
E chega de falar sério, pois se for desenrolar tudo que penso sobre esta relação de coisas, vou ficar aqui até amanhã escrevendo.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Vídeo Coca-cola
Olha, eu sou meio contra este lance de capitalismo extremo, e tal, mas achei bem interessante esta constatação da Coca-cola: As câmeras de segurança registram muito mais que crimes. Registram também o que há de bom no ser humano.
Dá uma olhada:
Vi no site Resto do Nada , que recomendo, inclusive.
Dá uma olhada:
Vi no site Resto do Nada , que recomendo, inclusive.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Meninos ucranianos
Não quero links, não quero mostrar nada. Absolutamente nada.
Estava lendo o site Minilua. Lá, uma foto lateral chamou minha atenção. Falava sobre a situação triste de crianças na Ucrânia. Abri o link.
Não vou reproduzir as fotos. Não é este meu intento. Não gosto de sensacionalismo nem profissionalmente, muito menos intimamente. Infelizmente vivemos no que chamamos de "Sociedade do espetáculo". Onde podemos assistir a desgraça alheia, e em um clique após dizer "coitadinho", fugir da realidade.
Há pessoas da minha convivência que se questionam sobre como sobrevivi a certas situações que elas consideram extremas. Mas elas sabem apenas o que contei. Na verdade, nunca vivi nenhuma situação extrema. Caminhei aproximadamente sete quilometros na chuva por não ter como pagar o ônibus, sem proteção nenhuma para fazer a prova do ENEM. Passei, estou prestes a me formar como bolsista. Roubei chuchu na cerca da vizinha para ter o que comer alguns meses antes disso acontecer. Estava amamentando meu filho praticamente desmaiada quando o pai dele chegou em casa. Tenho pressão baixa e chuchu não faz muito bem para pessoas como eu. Sofri violência psicológica, o que resultou em um divórcio. Me reergui do nada, várias vezes. e me reergo de novo, se for necessário.
Isto é o que eles sabem, e já ficam chocadas. E se um dia descobrirem que testemunhei contra um pedófilo ao descobrir que uma menina em uma das creches que eu trabalhei estava sendo abusada? Sim, eu estive frente a frente com ele, e não piquei nenhum pedacinho do seu rosto.
E se descobrirem que ensinei uma menina de treze anos a tomar banho em bacia depois de descobrir que na sua casa não havia água encanada?
Que vesti meu moletom em um menino de seis anos para o qual tive que colocar no colo para dar aula, na intenção de aquecê-lo (Naquele dia voltei com frio para casa, mas a sensação foi única.)?
Que segurei a língua de um menino que estava tendo uma overdose?
Que fui em boca de fumo exigir um aluno meu de volta gritando com o traficante em questão "Nos dias em que eu der aula ele é meu, nos outros ele é teu, e vamos ver quem é que ele escolhe!"? A partir deste dia o homem mandava o menino ir pra escola antes de ir para o "trabalho".
E o dia que fui escoltada pra descer o Morro da Cruz sob fogo cruzado? Cabuloso!
Sabem quanto eu ganhava para sustentar meus filhos neste período? 80 reais por mês, numa época em que o salário mínimo era de 400. O resto, arranjava fazendo uma performance de teatro aqui, outra alí. Não se enganem, meus amigos, artista fora da televisão é pobre.
Não é meu intuito também exibir proezas. Até porque o que contei não é proeza. É apenas minha obrigação. Na verdade a obrigação de todos nós.
Conheço um homem que me contou que muito se molhou na chuva sendo levado pela mão por sua mãe, em condições extremas. Começou a trabalhar aos sete anos, vendendo jornais. Não digo quem é, nem o que faz por respeito, mas posso dizer que hoje está muito, mas muito bem. Chorei ouvindo sua história, porque é muito parecida com a dos meus filhos, que não precisaram trabalhar tão cedo, mas estão aprendendo o valor das coisas comigo. Tenho certeza que este homem não fez o que fez sozinho. Sempre temos alguém que dobre nosso paraquedas. Lembram daquele email que ninguém lê até o final? Pois é, leiam e entenderão. Assim como estenderam a mão para ele, estenderam e estendem para mim; e eu estendo para outro, em gratidão a quem me estendeu.
Estou extremamente chocada com as fotos que vi, retratando o cotidiano dos meninos abandonados na Ucrânia. O que me choca mais ainda é saber a sensação que o fotógrafo deve ter tido. Ele também estava cumprindo sua obrigação como pessoa. Podemos não ter dinheiro, mas miséria vai muito além de não ter dinheiro. A miséria da alma é muito mais assustadora e sedimentada.
Minha mãe é kardescista. Minha família é. Um dia ela me disse que devemos cumprir nossa obrigação com nossos filhos primeiro, e que haviam desgraças que aconteciam com as pessoas por conta de coisas que elas mesmas fizeram. Acredito nisto. Mas assim como ela, acredito que nós todos estamos aprendendo. Consequentemente, se estes pequenos estão aprendendo com a dor, eu estou aprendendo com a indignação por vê-los assim, e ainda mais com a coragem de fazer alguma coisa. Isto é o que dá forças à minha mãe, por exemplo, mesmo cansada, prestar trabalho voluntário também.
Mas é tudo tão complicado. Não é uma doação, nem simplesmente arrastar um menino ucraniano para um abrigo que vai resolver. Nem um prato de comida. Naquelas condições, o corpo não sente fome, nem frio. Talvez nem dor.
Meu Deus! Eles são muito parecidos com meu filho. E podemos sentir todo o sofrimento em suas expressões nas fotografias.
Talvez nem escrever este texto ajude, mas preciso vociferar este tipo de coisa, sabendo que tenho acessos de várias partes do mundo, mesmo que não comentem nada.
Todas as noites agradeço à Deus(a) por ter me dado forças para garantir dignidade aos meus filhos. Poderia ter fraquejado como os pais destes meninos. Existem coisas (boas e ruins), que só podemos explicar com o divino. Quando os vejo deitados em camas limpas, alimentados, e recebendo educação, mesmo que com a dificulade de minha falha presença muitas vezes; só consigo explicar com a presença de um Deus(a) que não é bom. É justo.
Não consigo ver a humanidade como se não fosse uma família gigantesca. Queria poder me multiplicar e segurar cada um deles no colo. Juro. Não tenho por que querer impressionar alguém.
Mas posso pedir um favor: que cada pessoa que ler isso se torne uma extensão dos meus braços. Também imagino que isso não vai dar certo, mas se um atender, já será a margem que as estatísticas prevêem.
Um dia, meus filhos queriam deixar uma lata de refrigerante pela metade em uma calçada para que um mendigo pegasse. Não permiti. Ensinei a eles que se quiserem dar algo a alguém, que fossem ao mercado, comprassem um lanche limpinho e dessem. Isso é dignidade. Ninguém precisa viver de restos.
Pode existir um "menino ucraniano" ao lado da sua casa, sabia? Não é necessário viajar a Ucrânia para fazer algo.
Estes meninos vão desencarnar e ser substituídos, e não falta muito tempo. Se verem as imagens entenderão. Não sabemos onde terão suas próximas chances, então se melhorarmos as condições por aqui, estaremos preparados para recebê-los de braços abertos, caso nos escolham. A vida é feita dos atos de cair e levantar diariamente. É assim com o plano divino, também.
Uma oração? Talvez. Na verdade chamo isso de fé, de amor, de esperança.
Estava lendo o site Minilua. Lá, uma foto lateral chamou minha atenção. Falava sobre a situação triste de crianças na Ucrânia. Abri o link.
Não vou reproduzir as fotos. Não é este meu intento. Não gosto de sensacionalismo nem profissionalmente, muito menos intimamente. Infelizmente vivemos no que chamamos de "Sociedade do espetáculo". Onde podemos assistir a desgraça alheia, e em um clique após dizer "coitadinho", fugir da realidade.
Há pessoas da minha convivência que se questionam sobre como sobrevivi a certas situações que elas consideram extremas. Mas elas sabem apenas o que contei. Na verdade, nunca vivi nenhuma situação extrema. Caminhei aproximadamente sete quilometros na chuva por não ter como pagar o ônibus, sem proteção nenhuma para fazer a prova do ENEM. Passei, estou prestes a me formar como bolsista. Roubei chuchu na cerca da vizinha para ter o que comer alguns meses antes disso acontecer. Estava amamentando meu filho praticamente desmaiada quando o pai dele chegou em casa. Tenho pressão baixa e chuchu não faz muito bem para pessoas como eu. Sofri violência psicológica, o que resultou em um divórcio. Me reergui do nada, várias vezes. e me reergo de novo, se for necessário.
Isto é o que eles sabem, e já ficam chocadas. E se um dia descobrirem que testemunhei contra um pedófilo ao descobrir que uma menina em uma das creches que eu trabalhei estava sendo abusada? Sim, eu estive frente a frente com ele, e não piquei nenhum pedacinho do seu rosto.
E se descobrirem que ensinei uma menina de treze anos a tomar banho em bacia depois de descobrir que na sua casa não havia água encanada?
Que vesti meu moletom em um menino de seis anos para o qual tive que colocar no colo para dar aula, na intenção de aquecê-lo (Naquele dia voltei com frio para casa, mas a sensação foi única.)?
Que segurei a língua de um menino que estava tendo uma overdose?
Que fui em boca de fumo exigir um aluno meu de volta gritando com o traficante em questão "Nos dias em que eu der aula ele é meu, nos outros ele é teu, e vamos ver quem é que ele escolhe!"? A partir deste dia o homem mandava o menino ir pra escola antes de ir para o "trabalho".
E o dia que fui escoltada pra descer o Morro da Cruz sob fogo cruzado? Cabuloso!
Sabem quanto eu ganhava para sustentar meus filhos neste período? 80 reais por mês, numa época em que o salário mínimo era de 400. O resto, arranjava fazendo uma performance de teatro aqui, outra alí. Não se enganem, meus amigos, artista fora da televisão é pobre.
Não é meu intuito também exibir proezas. Até porque o que contei não é proeza. É apenas minha obrigação. Na verdade a obrigação de todos nós.
Conheço um homem que me contou que muito se molhou na chuva sendo levado pela mão por sua mãe, em condições extremas. Começou a trabalhar aos sete anos, vendendo jornais. Não digo quem é, nem o que faz por respeito, mas posso dizer que hoje está muito, mas muito bem. Chorei ouvindo sua história, porque é muito parecida com a dos meus filhos, que não precisaram trabalhar tão cedo, mas estão aprendendo o valor das coisas comigo. Tenho certeza que este homem não fez o que fez sozinho. Sempre temos alguém que dobre nosso paraquedas. Lembram daquele email que ninguém lê até o final? Pois é, leiam e entenderão. Assim como estenderam a mão para ele, estenderam e estendem para mim; e eu estendo para outro, em gratidão a quem me estendeu.
Estou extremamente chocada com as fotos que vi, retratando o cotidiano dos meninos abandonados na Ucrânia. O que me choca mais ainda é saber a sensação que o fotógrafo deve ter tido. Ele também estava cumprindo sua obrigação como pessoa. Podemos não ter dinheiro, mas miséria vai muito além de não ter dinheiro. A miséria da alma é muito mais assustadora e sedimentada.
Minha mãe é kardescista. Minha família é. Um dia ela me disse que devemos cumprir nossa obrigação com nossos filhos primeiro, e que haviam desgraças que aconteciam com as pessoas por conta de coisas que elas mesmas fizeram. Acredito nisto. Mas assim como ela, acredito que nós todos estamos aprendendo. Consequentemente, se estes pequenos estão aprendendo com a dor, eu estou aprendendo com a indignação por vê-los assim, e ainda mais com a coragem de fazer alguma coisa. Isto é o que dá forças à minha mãe, por exemplo, mesmo cansada, prestar trabalho voluntário também.
Mas é tudo tão complicado. Não é uma doação, nem simplesmente arrastar um menino ucraniano para um abrigo que vai resolver. Nem um prato de comida. Naquelas condições, o corpo não sente fome, nem frio. Talvez nem dor.
Meu Deus! Eles são muito parecidos com meu filho. E podemos sentir todo o sofrimento em suas expressões nas fotografias.
Talvez nem escrever este texto ajude, mas preciso vociferar este tipo de coisa, sabendo que tenho acessos de várias partes do mundo, mesmo que não comentem nada.
Todas as noites agradeço à Deus(a) por ter me dado forças para garantir dignidade aos meus filhos. Poderia ter fraquejado como os pais destes meninos. Existem coisas (boas e ruins), que só podemos explicar com o divino. Quando os vejo deitados em camas limpas, alimentados, e recebendo educação, mesmo que com a dificulade de minha falha presença muitas vezes; só consigo explicar com a presença de um Deus(a) que não é bom. É justo.
Não consigo ver a humanidade como se não fosse uma família gigantesca. Queria poder me multiplicar e segurar cada um deles no colo. Juro. Não tenho por que querer impressionar alguém.
Mas posso pedir um favor: que cada pessoa que ler isso se torne uma extensão dos meus braços. Também imagino que isso não vai dar certo, mas se um atender, já será a margem que as estatísticas prevêem.
Um dia, meus filhos queriam deixar uma lata de refrigerante pela metade em uma calçada para que um mendigo pegasse. Não permiti. Ensinei a eles que se quiserem dar algo a alguém, que fossem ao mercado, comprassem um lanche limpinho e dessem. Isso é dignidade. Ninguém precisa viver de restos.
Pode existir um "menino ucraniano" ao lado da sua casa, sabia? Não é necessário viajar a Ucrânia para fazer algo.
Estes meninos vão desencarnar e ser substituídos, e não falta muito tempo. Se verem as imagens entenderão. Não sabemos onde terão suas próximas chances, então se melhorarmos as condições por aqui, estaremos preparados para recebê-los de braços abertos, caso nos escolham. A vida é feita dos atos de cair e levantar diariamente. É assim com o plano divino, também.
Uma oração? Talvez. Na verdade chamo isso de fé, de amor, de esperança.
Esta foto retrata uma pessoa que foi salva do abandono por um casal em melhores condições que seus pais biológicos.
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Medo de palhaço
Uma vez minha mãe contou que meu irmão de 22 anos ainda tem medo de uma coisa, só uma coisinha: palhaço.
E daí que eu achei ser bobagem até o dia de hoje, quando resgatei, lá do fundo do baú, um bate-papo da UOL com palhaços da franquia Patatí e Patatá, em 2003.
1ª constatação:
G-zuis!!! Socorro, posso estar sendo espiada por um palhaço agora!!! (A partir de hoje, só tomo banho de roupa...)
P.S 2.: NÃO, NÃO FUMO ABSOLUTAMENTE NADA. Nem cigarro comum. Só precisava falar um pouco de bobagem. Queria mesmo é que mais gente fizesse este trabalho de resgatar a inocência infantil, que é tão gostosa; ao invés de mostrar programas com crianças namorando e cenas de sexo explícito com atores adultos, prontas para ser copiadas embaixo da mesa da escolinha.
E daí que eu achei ser bobagem até o dia de hoje, quando resgatei, lá do fundo do baú, um bate-papo da UOL com palhaços da franquia Patatí e Patatá, em 2003.
1ª constatação:
G-zuis!!! Socorro, posso estar sendo espiada por um palhaço agora!!! (A partir de hoje, só tomo banho de roupa...)
2ª constatação:
Sempre, SEMPRE haverá um idiota metido a palhaço (no sentido negativo da história...) pra colocar um apelido de extremo mau gosto em um bate-papo em que muito provavelmente crianças e pais de crianças entrariam. E os moderadorees não fizeram nada, leram bem? NADA!
Só um apelido destes já é crime. Mas como palhaço não necessariamente é bobo, "deram nos dedos", só no sapatinho (É cômico o resto do bate papo. Para todas as perguntas que o tal "Pedófilo" faz, os palhaços respondem algo relacionado à inocencia infantil. Pena que ele não "se flagra".):
Conclusão:
Onipresentes e inteligentes. São semi-deuses. E se Hércules detonava, devia ser temido. Sendo assim, palhaços devem ser temidos. Resumindo: Meu irmão tem razão (Drooooga!!! Mãe, olha esse gurí rindo da minha cara!!!).
P.S.: Se encontrar algo que denote onisciência e onipotência, por gentileza, avise, assim, chegarei à uma segunda conclusão: a de que devem ser Deuses... daí vou enviar um email perguntando como foi criar tudo isso em sete dias, e talz...
P.S 2.: NÃO, NÃO FUMO ABSOLUTAMENTE NADA. Nem cigarro comum. Só precisava falar um pouco de bobagem. Queria mesmo é que mais gente fizesse este trabalho de resgatar a inocência infantil, que é tão gostosa; ao invés de mostrar programas com crianças namorando e cenas de sexo explícito com atores adultos, prontas para ser copiadas embaixo da mesa da escolinha.
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Para nossa alegria... de verdade.
Um vídeo se torna viral.
Pela graça? Pelo sorriso do rapazinho que toca violão? Claro. Eu ri também.
Mas daí um dia resolvi escutar.
É uma letra singela, mas que diz tanta coisa.
"Nos galhos secos de uma árvore qualquer
Onde ninguém jamais pudesse imaginar
O Criador vê uma flor à brotar
Olhai, olhai, olhai
Os lírios cresceram nos campos
E o Senhor nosso Deus
Nos têm alimentado para nossa alegria
Para nossa alegria
Para nossa alegria"
Foi composta em 1972, pela banda de rock evangélico Êxodus.
Foi gravada até pela banda Catedral, aquela que tem um vocalista com a voz igualzinha a do Renato Russo.
Fiquei curiosa, e tive que compartilhar. Não sou cristã. Mas quando algo é bonito, pela simples intensão de dizer algo de bom, pode e deve ser admirado.
Pela graça? Pelo sorriso do rapazinho que toca violão? Claro. Eu ri também.
Mas daí um dia resolvi escutar.
É uma letra singela, mas que diz tanta coisa.
"Nos galhos secos de uma árvore qualquer
Onde ninguém jamais pudesse imaginar
O Criador vê uma flor à brotar
Olhai, olhai, olhai
Os lírios cresceram nos campos
E o Senhor nosso Deus
Nos têm alimentado para nossa alegria
Para nossa alegria
Para nossa alegria"
Foi composta em 1972, pela banda de rock evangélico Êxodus.
Foi gravada até pela banda Catedral, aquela que tem um vocalista com a voz igualzinha a do Renato Russo.
Fiquei curiosa, e tive que compartilhar. Não sou cristã. Mas quando algo é bonito, pela simples intensão de dizer algo de bom, pode e deve ser admirado.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O Steve Jobs morreu.
Pois é...
Pelo menos teve tempo de falar algo que prestasse pra alguém.
(É pena que o arquivo do qual estou falando vai bombar em tudo que é blog e seja lá que caralho a 4 for só agora.)
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Superação, persistência... resistência? (Steve Jobs em Stanford)
Eu fico muda toda vez em que assisto.
Meu professor, Militão Ricardo, mostrou este vídeo em uma das aulas que tivemos com ele no IPA. Confesso que me debulhei.
Parte 1:
Meu professor, Militão Ricardo, mostrou este vídeo em uma das aulas que tivemos com ele no IPA. Confesso que me debulhei.
Parte 1:
Parte 2
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
Amy Winehouse e o egoísmo
Tem uma caralhada de gente chorando as pitangas porque a Amy Winehouse morreu.
Comigo não seria diferente.
Eu não lamento a morte dela. Lamento a autodestruição dela.
Para quem agora está fazendo fiasco na frente da casa dela, jogando cigarros e copos com bebida alcoólica como "homenagem" (Parece coisa de despacho, e segundo algumas crenças, se Amy era "obsidiada", lá estarão os mesmo espíritos que a perturbavam.), chorando, achando que era melhor ela estar viva, eu pergunto:
Quem tinha este rosto...:
E atualmente, ao se olhar no espelho via este rosto...:
... Estaria mesmo se sentindo viva?
E uma segunda consideração: tem uma panaca aí, que escreveu um livro falando sobre a maldição dos 27 anos dos astros da música que morreram nessa idade. Engraçado... não vejo maldição nenhuma encimando a cabeça de Janis Joplin, nem de Jim Morrison, nem do Kurt Cobain (fora ter sido casado com a Curtnay, claro...), nem de todos os outros... VEJO APENAS UM DESVIO DE CONDUTA GIGANTESCO CONTRA O PRÓPRIO CORPO.
Sinto muito, mesmo. Espero que todos eles se recuperem.
E não lamento a ponto de desejar quer ela estivesse viva... não sou egoísta a ponto de achar que só porque ela nos dava o prazer de ouvi-la cantar estivesse de fato entre nós.
Comigo não seria diferente.
Eu não lamento a morte dela. Lamento a autodestruição dela.
Para quem agora está fazendo fiasco na frente da casa dela, jogando cigarros e copos com bebida alcoólica como "homenagem" (Parece coisa de despacho, e segundo algumas crenças, se Amy era "obsidiada", lá estarão os mesmo espíritos que a perturbavam.), chorando, achando que era melhor ela estar viva, eu pergunto:
Quem tinha este rosto...:
E atualmente, ao se olhar no espelho via este rosto...:
... Estaria mesmo se sentindo viva?
E uma segunda consideração: tem uma panaca aí, que escreveu um livro falando sobre a maldição dos 27 anos dos astros da música que morreram nessa idade. Engraçado... não vejo maldição nenhuma encimando a cabeça de Janis Joplin, nem de Jim Morrison, nem do Kurt Cobain (fora ter sido casado com a Curtnay, claro...), nem de todos os outros... VEJO APENAS UM DESVIO DE CONDUTA GIGANTESCO CONTRA O PRÓPRIO CORPO.
Sinto muito, mesmo. Espero que todos eles se recuperem.
E não lamento a ponto de desejar quer ela estivesse viva... não sou egoísta a ponto de achar que só porque ela nos dava o prazer de ouvi-la cantar estivesse de fato entre nós.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Inquisição
, 
Ontem, quando acordei, uma tempestade se formava. Não... não estou falando de tempestade em sentido de metáfora. E sim daquelas tempestades que parecem varrer tudo, com grandes nuvens negras que tomam conta do céu aos poucos... ondas com espuma.
Estava só. Olhava pela janela, e perdi alguns minutos contemplando aquilo que penso ser a maior prova de força da natureza.
Água limpa tudo...cura todos os males. Vem com a força de uma enxurrada e leva tudo o que temos. Particularmente, acredito que quando me exponho à chuva, minhas forças se renovam.
Mas eu não podia olhar para o milagre que se aproximava.
Tinha que correr.
Tenho estado longe de mim mesma a tempo demais. São raras às vezes em que posso, por exemplo, admirar as folhas balançando.
Não venham tirar de mim o restinho do que tenho. Deturpam minha integridade... invadem meus pensamentos... substituem meus princípios... questão de sobrevivência, e não de vivência.
Vestí-me e antes de sair, olhei para o lado. Sim, do lado da porta de minha casa... meu cetro... minhas adagas... pedras... caldeirão. Minha fé cheia de poeira. E percebi que não era apenas nos objetos. A poeira está dentro de mim.
Meu manto negro guardado dentro de um roupeiro, ao lado do da minha filhinha (E como é prazeroso fazer nossos rituais juntas! Aquelas pequenas mãos pegando suas rodelas de maçã... erguendo e dizendo: "mãezinha do céu, cuida de todos os teus filhinhos!"), talvez seja a maior prova de tudo isto. Ensinei meus filhos a chamar a Lua de "Mãezinha do Céu" desde que aprenderam a falar. A única coisa que não se pode tirar de uma pessoa é a fé, seja ela no que for.
Foi correndo até o trabalho que pensei em como isto tudo é semelhante a uma inquisição. E talvez fosse melhor ser queimada. Assim eu morreria. Porém, continuo viva de corpo. A única coisa que me consome é o tempo. E corro para a janela do prédio toda vez que ouço o barulho da água que bate no telhado...na estrada, nas folhas. Pelo menos poderei olhar, já que não me é permitido sentir. Não me comunico mais com o invisível. Tenho praticado auto-negligência.
A inquisição que acaba com mais uma sacerdotisa. O inquisitor: o tempo. Meu único inimigo. Poderoso, intransponível. Passa por mim, e às vezes nem vejo.
"E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo". (Trecho da Grande Exortação.)
Ó Grande Mãe... mãezinha! Tu que sabes de todas as coisas, e enxerga até o que não podemos ver... cuida de mim e dos que amo... e dos que não amo também... continuo sendo apenas tua filhinha... em silêncio... mas tua.
Estava só. Olhava pela janela, e perdi alguns minutos contemplando aquilo que penso ser a maior prova de força da natureza.
Água limpa tudo...cura todos os males. Vem com a força de uma enxurrada e leva tudo o que temos. Particularmente, acredito que quando me exponho à chuva, minhas forças se renovam.
Mas eu não podia olhar para o milagre que se aproximava.
Tinha que correr.
Tenho estado longe de mim mesma a tempo demais. São raras às vezes em que posso, por exemplo, admirar as folhas balançando.
Não venham tirar de mim o restinho do que tenho. Deturpam minha integridade... invadem meus pensamentos... substituem meus princípios... questão de sobrevivência, e não de vivência.
Vestí-me e antes de sair, olhei para o lado. Sim, do lado da porta de minha casa... meu cetro... minhas adagas... pedras... caldeirão. Minha fé cheia de poeira. E percebi que não era apenas nos objetos. A poeira está dentro de mim.
Meu manto negro guardado dentro de um roupeiro, ao lado do da minha filhinha (E como é prazeroso fazer nossos rituais juntas! Aquelas pequenas mãos pegando suas rodelas de maçã... erguendo e dizendo: "mãezinha do céu, cuida de todos os teus filhinhos!"), talvez seja a maior prova de tudo isto. Ensinei meus filhos a chamar a Lua de "Mãezinha do Céu" desde que aprenderam a falar. A única coisa que não se pode tirar de uma pessoa é a fé, seja ela no que for.
Foi correndo até o trabalho que pensei em como isto tudo é semelhante a uma inquisição. E talvez fosse melhor ser queimada. Assim eu morreria. Porém, continuo viva de corpo. A única coisa que me consome é o tempo. E corro para a janela do prédio toda vez que ouço o barulho da água que bate no telhado...na estrada, nas folhas. Pelo menos poderei olhar, já que não me é permitido sentir. Não me comunico mais com o invisível. Tenho praticado auto-negligência.
A inquisição que acaba com mais uma sacerdotisa. O inquisitor: o tempo. Meu único inimigo. Poderoso, intransponível. Passa por mim, e às vezes nem vejo.
"E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo". (Trecho da Grande Exortação.)
Ó Grande Mãe... mãezinha! Tu que sabes de todas as coisas, e enxerga até o que não podemos ver... cuida de mim e dos que amo... e dos que não amo também... continuo sendo apenas tua filhinha... em silêncio... mas tua.
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