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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Por que não acreditar no Criança Esperança?

Ok, vamos começar do começo. Já aviso que este post contém palavrões.

A Globo foi acusada de sonegação de impostos, o salário anual de alguns apresentadores supera a arrecadação anual do projeto, o trabalho todo é baseado nas doações de outras pessoas e entidades, fazendo com que a emissora em questão receba benefícios como isenção ou descontos em determinados impostos “às custas dos outros”.

Beleza. Concordo, inclusive.

Mas vamos tentar enxergar por outro lado? Por exemplo: quem me conhece sabe que trabalho com uma parte meio fora do comum na Comunicação. Sou um dos responsáveis por agregar valor a um dos maiores produtos de comunicação do meu Estado. E confesso; não é um trabalho fácil.

E muitas, mas muitas vezes pensamos em projetos que tem cunho social. Projetos que vão beneficiar muitas outras pessoas. Mas que temos que colocar em prática com outros parceiros que poderão auxiliar de uma maneira ou outra, pois não temos como pagar algumas contas sozinhos.

“Ah, Carol, mas o faturamento da Glob”... Pssssssht! Eu não tenho uma cópia do relatório de faturamento da Globo nem você tem. Pessoas, entendam de uma vez por todas que os grupos de comunicação vivem de ilusão. Isto mesmo! Pura ilusão. Totalmente besta isto, mas é ilusão. Sabe aquela tinta acrílica dourada e marota que passam por cima dos altares barrocos na restauração? Pois é.

Desculpem se decepciono vocês, ainda mais por estar me colocando como se defendesse um grupo que é concorrente daquele para o qual eu trabalho. Mas a grande questão é que não estou defendendo porra nenhuma.
Só estou questionando o seguinte: por que raios é tão condenável usar a própria imagem para arrecadar doações e conscientizar os serumaninhos da existência de outros serumaninhos? Gente, o Sérgio Zambiazi fez isto a vida inteira e é um ícone do rádio gaúcho! O Zambiazi podia comprar quantas cadeiras de roda quisesse, tenho quase certeza disto, mas ele preferiu fazer melhor que isto, ele preferiu fazer com que seus ouvintes percebessem a presença do outro. Não esqueçam que empresas de comunicação continuam sendo empresas e devem se autossustentar como tal. Ah, e não esqueçam também: a imagem é um produto. E se estou cedendo gratuitamente a minha, isto é filantropia sim.

“Ah, sim, né, Carol! Gozar com o pau dos out”...

É, é mais fácil sim. E criticar o pau dos outros sem ter visto o estrago que ele pode fazer também é fácil demais.

Acha que o Criança Esperança é balela, auxilia poucos jovens e é apenas uma máscara de boa moça para a Globo? Também acho. Mas e o seu projeto? O que você fez por estes jovens?

É muito bonito duvidar de um projeto social e fazer absolutamente NADA para mudar a realidade à sua volta. Assim protestar é ser apenas mais um rebelde sem causa, infantilóide, mimado e cegueta diante deste mundo de merda em que somos obrigados a ver crianças vivendo situações que talvez nem nós adultos suportaríamos. Ou seja: não vale.

Se eu doei algo para este projeto?

Não. Desconfio do mesmo que você; por isto eu mesma proponho debates à minha volta e entrego minhas próprias doações (desde brinquedos até meus próprios cabelos, se querem saber). Mas com muito respeito. Acima de qualquer coisa, respeito.


segunda-feira, 9 de maio de 2016

Alienação parental: ela pode ser substituída!

Dizem que eu sou um tipo meio estranho.

Um tipo meio raro na verdade.

Só porque eu chorei de emoção e gratidão quando vi minha filha agarrada à madrasta dela numa entrega de amigo secreto. e também por que nós trocamos ideias, e ainda por cima maquiagens quando tem festa de família.

Também acham esquisito eu abraçar apertado e pegar no colo o irmão dos meus filhos, nascido do segundo casamento do pai deles. E ainda por cima passarmos Natais juntos.

Esquisito é alienar um ser que está formando sua identidade social, isso sim.

Aproveitando minha esquisitice e me inspirando nas frases que eu mesma digo, resolvi fazer uma tabela de substituições (Tipo Preta Gil, sabe?):


Acho digno e útil.

Já parou para pensar em qual lado da tabela tu mais te refere quando fala com teus filhos, ou com o pai/a mãe deles? Já parou pra pensar que pai/mãe não tem absolutamente nada a ver com marido/mulher? E que se o casamento acabou, virar pai/mãe faz de ti parte de uma equipe vitalícia na criação de outros seres humanos?

E principalmente: que a alienação parental é crime e não está presente apenas na proibição de visitas, mas na influencia em destratar, desrespeitar, diminuir ou humilhar o pai ou a mãe que não mora com o filho? E o pior: não é só porque é crime que deve ser repensada. Já pensou o que se passa na cabeça dest@ filh@?

E agora, quem é o estranho?






domingo, 27 de setembro de 2015

Lembranças Setembrinas






Enquanto escrevo sorvo do doce-amargo chimarrão
E lembro dos meus tempos de chinoca
Na Setembrina dos Farrapos
Minha querida Viamão.

Meus bordados e crochês de pequena
O cheiro da chimia de chuchu colhido na cerca
As benzeduras da minha bizavó.

Das vezes em que declamei
Cantei
Pintei
Interpretei
Em festivais.

Das histórias que aprendi
Da cultura que defendi
Da pilcha que vesti
Das prendas que entendi.

Lembro das teias da vida
Que me levaram p’routros pagos
E enquanto bebo desta seiva
Não é um chasque que escuto
Nem chamamé nem milonga
É do rock todo inglesado
Que vem a trilha sonora
P´ra minha reflexão.

Fico aqui pensando
Que ainda sou aquela guria cheia de saias
Mas hoje vestindo calças
Enfrentando muito macho
Na peleia do tal de mercado.
Não preciso de uma faca na guaiaca
Nem de rebenque ou açoite
Preciso mesmo do que o vento frio do pago onde cresci me ensinou
Paciência, doçura e altivez
Uma dose de força e coragem
Pois da prenda que sou
Disto não posso me separar.

Mas penso que mesmo agindo de maneira diferente
Do que me ensinaram
Minha essência não vai embora
E não sou menos prenda, menos gaúcha, menos guapa
Do que as meninas que andam pilchadas
Como há muito deixei de andar.

E lembro então de pagos ainda mais distantes
Que não conheci
Mas que foram origem de tudo
Que hoje conhecemos aqui.

Sem as alemoas não teria chimia
Sem as polacas não teria festa com polonese
Sem as portuguesas não teria xale
Sem as açorianas não teria bordado e renda
Sem as espanholas não teria abanico e saia rodada.

E em uma cultura parida de tantas outras
Não posso esquecer que estas pessoas são tão gaúchas quanto eu
Órfãs de pago
Aquerenciadas em nossas coxilhas.

E sendo assim, quem sou eu p’ra dizer que é ruim
Gostar de baião e repente
Comer tapioca e acarajé
Contar causos de entradas e bandeiras
Sambar no carnaval
Vaquear em pantanal
E garantir os caprichos dos bois?

Ainda mais sabendo que mesmo em outros pagos
Quando deitarem em seus catres
As estrelas que os olhos deles vão enxergar
São as mesmas que os meus.

Caroline Garcia

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Infância sabor beterraba




Hoje, durante o almoço, percebi que minha infância teve um sabor diferente do que muitas pessoas descrevem.

Minha primeira infância teve sabor de chocolate, de biscoitos que eu comia em excesso, de balas e outros açúcares que me foram oferecidos talvez na tentativa de suprir minha ansiedade, que eu apresentava já em tenra idade.

Mas minha segunda infância, na verdade início de adolescência é lembrado por um sabor bem mais peculiar: sabor de beterraba cozida. Quanto mais grossa e tomar conta de toda a circunferência de uma beterraba inteira, mais ela me lembra de minha vida dos 13 aos 18 anos de idade (tempo em que me alimentei diariamente à mesa de minha mãe).

Aliás, beterrabas, tomates, folhas, cenouras. Todas elas lembram muito o sabor das refeições preparadas com muito carinho pela minha mãe. Meu irmão, sete anos mais novo que eu, quando ia às compras comigo, saia correndo com um tomate na mão, comendo como se fosse uma maçã (que ele gostava também). E fazia um escândalo quando eu pedia para pesar. Só parava de reclamar quando eu tirava da balança e devolvia a ele que “atacava” vorazmente a fruta (afinal, eu precisava pagar o tomate, né?).

A questão aqui é a beterraba. Meus outros dois irmãos, mais novos, comem beterrabas cozidas inteiras, abocanhando pedações que enchem as duas bochechas. É uma cena bonita de ver, sabe?
E meus filhos também. Aliás, meus filhos gostam de comer as folhas da beterraba, cortadas bem fininhas e cruas mesmo. Misturam no feijão e limpam os pratos. Ou cozidas em bolinhos também. Às vezes dão certa resistida, e eu, fazendo papel de investigadora alimentar descubro que é um espelhamento das manhas que presenciam na escola. Então rapidamente lembro a eles a importância de cada alimento e resolvo o problema.

Hoje, ao comer quase meio prato de beterraba (eu como crua, cozida, as folhas), junto a uma boa variedade de hortaliças, lembro-me de meu último check-up: todos os níveis de açúcares, colesterol, ferro e outras substâncias sempre estão sob controle. Mesmo com o sobrepeso que quem me conhece pessoalmente sabe que carrego (sobrepeso, aliás, que não me tornou sedentária, mas esta é outra história).

Senti então a necessidade de agradecer publicamente à minha mãe. Agradecer por ela ter me dito não várias vezes, me impor limites, me reeducar (e não é qualquer um que consegue reeducar alguém, mesmo sendo filho). E me alimentar. De corpo e de alma. Espero que ela leia este texto um dia e entenda a importância que tiveram os pães com margarina e doce de leite que nós comíamos nos finais de tarde quando eu voltava de meus estágios do Ensino Médio; alternados com as “viandinhas” de legumes cozidos que ela me fazia para o almoço. A missão dela foi cumprida: sou uma pessoa saudável.

Pena que ao lembrar-me de tudo isto, me bateu uma tristeza muito grande, pois lembrei também de uma cena que presenciei em um restaurante: a mãe, com um casal de filhos, serviu o menino (mais novo) com um prato de batatas fritas, arroz e bife empanado. A filha serviu-se sozinha com vários alimentos, entre eles, minha querida beterraba. O menino chorou e esperneou, querendo provar a iguaria.

- Cala a boca! Tu não come isto. – Respondeu a mãe, enquanto tentava “socar” goela abaixo da criança porções de batata e arroz; ao contrário de entregar um pedaço de beterraba para que ele provasse.


Lamentavelmente, no dia fiquei sem ação. Mas juro que se eu presenciar novamente um caso destes, não vou recomendar nenhum nutricionista. Vou passar o telefone da minha mãe, isto sim.





quarta-feira, 25 de março de 2015

Aprendendo a ser mãe II



Hoje de manhã me vi diante de mais um dilema materno. O relato será extenso, mas serve para reflexão:

Ontem, ao sair da casa da tia que cuida dos meus filhos fui informada que eles brigaram na escola.
Eu: Brigaram um com o outro?
O tio que cuida deles, com sobrancelhas cerradas: Não, Brigaram os dois com um outro guri. Mas eles vão te contar direitinho.

E sairam na rua me contando os dois ao mesmo tempo que a Jaliska tinha saído em defesa do Lugh. Bom, acabei o assunto orientando que com violência não se resolve nada.

Hoje pela manhã, minha filha reclamou que tem sido "separada" de uma colega com quem não para de brigar (Confesso que a menina é uma miniatura de sem noção, mas juro que oriento minha filha a viver pacificamente com ela, juro! – Se fosse comigo o cabelo dela já estaria cheio de cola.).

Eu: Mas claro, né? Tu até bate de soco em menino lá na escola, o que mais tu queria?
Ela cabisbaixa: Mas eu não bato de soco!
E eu, num momento de insanidade: Se tu vai bater, tem que bater direito que é pra não apanhar (eu nunca puxei cabelo de ninguém, mas soco muito certeiramente, desde tenra idade).
Meu filho entrando na conversa: Ela bateu de garrafa.
Eu: Hein?
Meu filho: Isto mesmo, mãe! Ela bateu com a garrafa de água que ela leva, e ainda estava congelada.
Ela, ficando nervosa: mas mãe, ele puxou o tênis do meu irmão e saiu correndo. Daí eu fui atrás dele e peguei o tênis. Ele não queria me entregar, ele vive incomodando na escola, bate até em professor. Dei de garrafa nele.
Eu, boquiaberta: E o que ele fez?
Ela: Ele foi pro lado de uma colega que tinha quebrado o pé e está usando muleta. Pegou uma muleta dela e veio para cima de mim.
Eu, cada vez mais apreensiva (ainda mais por saber que ninguém tinha me ligado da escola, nem a minha filha tinha marcas de espancamento por muleta): E...
Ela: E eu arranquei a muleta da mão dele e enchi ele de muletadas! Depois devolvi a muleta pra guria dona da muleta.
E o meu filho, interrompendo: Mas nesta hora eu já estava tentando segurar ela, porque né... coitado do guri.

(Muito bem, de ladrão de tênis o guri virou coitado...)

E eu, me virando pro meu filho: E tu conseguiu separar?
E ele: Não. Mas daí a diretora veio e levou nós três para a sala dela.

E lá fui eu de novo dar discurso sobre evitar resolver problemas na base da violência.

Mas o que eu digo se esta menina é meu update, minha miniatura, minha repetição exata no mundo, meus deuses?

Observação: Minha filha tem 1,26m e 25kg. O menino em questão é do tamanho do irmão dela: em torno de 1,45m e 44kg.
Observação 2: O que dizer desta pessoa que só conheço a 9 anos e já considero tanto? *o*
Observação 3: No Natal de 2013, entre outras lembrancinhas dei uma luva de boxe para cada um dos meus filhos. Será que a culpa é minha?
Observação 4: Eu ia escrever isto no Facebook, mas era muito extenso...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Acabaram com a infância (de novo)

Olha, eu sei que notícias de abuso contra crianças, sejam morais ou físicos, fazem qualquer um acreditar que a infância é artigo raro no mercado.

Sempre fui fã do Maurício de Souza, e continuo sendo, mas acho que chegou a hora de parar de destruir a infância alheia por causa de dinheiro. Estou muito decepcionada, sério mesmo.

Podem me chamar de quadrada, não me importo. Pra mim, o que é pra criança é pra criança e ponto final. Atos como este fazem com que nossos filhos não tenham acesso a uma mídia de entretenimento de qualidade. Um produto só existe no mercado por existir consumidor, e vice e versa. Sendo assim, se não existissem estas opções, eles ainda leriam as revistinhas infantis e dariam risadas como nós demos em nossa infância.

Olha a notícia que acabei lendo hoje no Correio do Povo:

"Mônica e Cebolinha estão de casamento marcado



União da dupla mais famosa dos quadrinhos brasileiros estará nas bancas na próxima semana

Foram décadas de implicância um com o outro, na revistinha mais famosa do Brasil. Tanta paixão reprimida só podia acabar em casamento. Agora, chega de planos infalíveis e coelhadas. Mônica e Cebolinha vão casar na edição 50 de Turma da Mônica Jovem. O lançamento da revista de 132 páginas ocorre na próxima semana.

O gibi em estilo mangá, produzido pelos Estúdios Maurício de Sousa, traz uma versão mais moderna da turminha que retrata a infância dos brasileiros há décadas. Na nova edição em quadrinhos, ele já trocaram o primeiro beijo e engataram namoro. Agora, chegou o matrimônio, cujo desenrolar de toda a história ainda é segredo".


Depois de ver os olhares ilustrados na imagem acima não vou me surpreender se levar meu filho na banca pra comprar revistinhas e encontrar uma de hentai , assinada pelo Maurício de Souza, ainda por cima.



quinta-feira, 3 de maio de 2012

Meninos ucranianos

Não quero links, não quero mostrar nada. Absolutamente nada.

Estava lendo o site Minilua. Lá, uma foto lateral chamou minha atenção. Falava sobre a situação triste de crianças na Ucrânia. Abri o link.

Não vou reproduzir as fotos. Não é este meu intento. Não gosto de sensacionalismo nem profissionalmente, muito menos intimamente. Infelizmente vivemos no que chamamos de "Sociedade do espetáculo". Onde podemos assistir a desgraça alheia, e em um clique após dizer "coitadinho", fugir da realidade.

Há pessoas da minha convivência que se questionam sobre como sobrevivi a certas situações que elas consideram extremas. Mas elas sabem apenas o que contei. Na verdade, nunca vivi nenhuma situação extrema. Caminhei aproximadamente sete quilometros na chuva por não ter como pagar o ônibus, sem proteção nenhuma para fazer a prova do ENEM. Passei, estou prestes a me formar como bolsista. Roubei chuchu na cerca da vizinha para ter o que comer alguns meses antes disso acontecer. Estava amamentando meu filho praticamente desmaiada quando o pai dele chegou em casa. Tenho pressão baixa e chuchu não faz muito bem para pessoas como eu. Sofri violência psicológica, o que resultou em um divórcio. Me reergui do nada, várias vezes. e me reergo de novo, se for necessário.

Isto é o que eles sabem, e já ficam chocadas. E se um dia descobrirem que testemunhei contra um pedófilo ao descobrir que uma menina em uma das creches que eu trabalhei estava sendo abusada? Sim, eu estive frente a frente com ele, e não piquei nenhum pedacinho do seu rosto.

E se descobrirem que ensinei uma menina de treze anos a tomar banho em bacia depois de descobrir que na sua casa não havia água encanada?

Que vesti meu moletom em um menino de seis anos para o qual tive que colocar no colo para dar aula, na intenção de aquecê-lo (Naquele dia voltei com frio para casa, mas a sensação foi única.)?

Que segurei a língua de um menino que estava tendo uma overdose?

Que fui em boca de fumo exigir um aluno meu de volta gritando com o traficante em questão "Nos dias em que eu der aula ele é meu, nos outros ele é teu, e vamos ver quem é que ele escolhe!"? A partir deste dia o homem mandava o menino ir pra escola antes de ir para o "trabalho".

E o dia que fui escoltada pra descer o Morro da Cruz sob fogo cruzado? Cabuloso!

Sabem quanto eu ganhava para sustentar meus filhos neste período? 80 reais por mês, numa época em que o salário mínimo era de 400. O resto, arranjava fazendo uma performance de teatro aqui, outra alí. Não se enganem, meus amigos, artista fora da televisão é pobre.

Não é meu intuito também exibir proezas. Até porque o que contei não é proeza. É apenas minha obrigação. Na verdade a obrigação de todos nós.

Conheço um homem que me contou que muito se molhou na chuva sendo levado pela mão por sua mãe, em condições extremas. Começou a trabalhar aos sete anos, vendendo jornais. Não digo quem é, nem o que faz por respeito, mas posso dizer que hoje está muito, mas muito bem. Chorei ouvindo sua história, porque é muito parecida com a dos meus filhos, que não precisaram trabalhar tão cedo, mas estão aprendendo o valor das coisas comigo. Tenho certeza que este homem não fez o que fez sozinho. Sempre temos alguém que dobre nosso paraquedas. Lembram daquele email que ninguém lê até o final? Pois é, leiam e entenderão. Assim como estenderam a mão para ele, estenderam e estendem para mim; e eu estendo para outro, em gratidão a quem me estendeu.

Estou extremamente chocada com as fotos que vi, retratando o cotidiano dos meninos abandonados na Ucrânia. O que me choca mais ainda é saber a sensação que o fotógrafo deve ter tido. Ele também estava cumprindo sua obrigação como pessoa. Podemos não ter dinheiro, mas miséria vai muito além de não ter dinheiro. A miséria da alma é muito mais assustadora e sedimentada.

Minha mãe é kardescista. Minha família é. Um dia ela me disse que devemos cumprir nossa obrigação com nossos filhos primeiro, e que haviam desgraças que aconteciam com as pessoas por conta de coisas que elas mesmas fizeram. Acredito nisto. Mas assim como ela, acredito que nós todos estamos aprendendo. Consequentemente, se estes pequenos estão aprendendo com a dor, eu estou aprendendo com a indignação por vê-los assim, e ainda mais com a coragem de fazer alguma coisa. Isto é o que dá forças à minha mãe, por exemplo, mesmo cansada, prestar trabalho voluntário também.

Mas é tudo tão complicado. Não é uma doação, nem simplesmente arrastar um menino ucraniano para um abrigo que vai resolver. Nem um prato de comida. Naquelas condições, o corpo não sente fome, nem frio. Talvez nem dor.

Meu Deus! Eles são muito parecidos com meu filho. E podemos sentir todo o sofrimento em suas expressões nas fotografias.

Talvez nem escrever este texto ajude, mas preciso vociferar este tipo de coisa, sabendo que tenho acessos de várias partes do mundo, mesmo que não comentem nada.

Todas as noites agradeço à Deus(a) por ter me dado forças para garantir dignidade aos meus filhos. Poderia ter fraquejado como os pais destes meninos. Existem coisas (boas e ruins), que só podemos explicar com o divino. Quando os vejo deitados em camas limpas, alimentados, e recebendo educação, mesmo que com a dificulade de minha falha presença muitas vezes; só consigo explicar com a presença de um Deus(a) que não é bom. É justo.

Não consigo ver a humanidade como se não fosse uma família gigantesca. Queria poder me multiplicar e segurar cada um deles no colo. Juro. Não tenho por que querer impressionar alguém.

Mas posso pedir um favor: que cada pessoa que ler isso se torne uma extensão dos meus braços. Também imagino que isso não vai dar certo, mas se um atender, já será a margem que as estatísticas prevêem.

Um dia, meus filhos queriam deixar uma lata de refrigerante pela metade em uma calçada para que um mendigo pegasse. Não permiti. Ensinei a eles que se quiserem dar algo a alguém, que fossem ao mercado, comprassem um lanche limpinho e dessem. Isso é dignidade. Ninguém precisa viver de restos.

Pode existir um "menino ucraniano" ao lado da sua casa, sabia? Não é necessário viajar a Ucrânia para fazer algo.

Estes meninos vão desencarnar e ser substituídos, e não falta muito tempo. Se verem as imagens entenderão. Não sabemos onde terão suas próximas chances, então se melhorarmos as condições por aqui, estaremos preparados para recebê-los de braços abertos, caso nos escolham. A vida é feita dos atos de cair e levantar diariamente. É assim com o plano divino, também.

Uma oração? Talvez. Na verdade chamo isso de fé, de amor, de esperança.

Esta foto retrata uma pessoa que foi salva do abandono por um casal em melhores condições que seus pais biológicos.

Medo de palhaço

Uma vez minha mãe contou que meu irmão de 22 anos ainda tem medo de uma coisa, só uma coisinha: palhaço.

E daí que eu achei ser bobagem até o dia de hoje, quando resgatei, lá do fundo do baú, um bate-papo da UOL com palhaços da franquia Patatí e Patatá, em 2003.

1ª constatação:

G-zuis!!! Socorro, posso estar sendo espiada por um palhaço agora!!! (A partir de hoje, só tomo banho de roupa...)



2ª constatação:


Sempre, SEMPRE haverá um idiota metido a palhaço (no sentido negativo da história...) pra colocar um apelido de extremo mau gosto em um bate-papo em que muito provavelmente crianças e pais de crianças entrariam. E os moderadorees não fizeram nada, leram bem? NADA!
Só um apelido destes já é crime. Mas como palhaço não necessariamente é bobo, "deram nos dedos", só no sapatinho (É cômico o resto do bate papo. Para todas as perguntas que o tal "Pedófilo" faz, os palhaços respondem algo relacionado à inocencia infantil. Pena que ele não "se flagra".):


Conclusão:

Onipresentes e inteligentes. São semi-deuses. E se Hércules detonava, devia ser temido. Sendo assim, palhaços devem ser temidos. Resumindo: Meu irmão tem razão (Drooooga!!! Mãe, olha esse gurí rindo da minha cara!!!).


P.S.: Se encontrar algo que denote onisciência e onipotência, por gentileza, avise, assim, chegarei à uma segunda conclusão: a de que devem ser Deuses... daí vou enviar um email perguntando como foi criar tudo isso em sete dias, e talz...

P.S 2.: NÃO, NÃO FUMO ABSOLUTAMENTE NADA. Nem cigarro comum. Só precisava falar um pouco de bobagem. Queria mesmo é que mais gente fizesse este trabalho de resgatar a inocência infantil, que é tão gostosa; ao invés de mostrar programas com crianças namorando e cenas de sexo explícito com atores adultos, prontas para ser copiadas embaixo da mesa da escolinha.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Stormtroopinho

Ah, droga, já dei minha lacrimejada da tarde lendo um site de humor, vê se pode?



Tá bom... pra quem chora assistindo Dumbo na cena em que a mãe dele tá presa e embala ele com a tromba através da grade... tem como se segurar? (Droga, já tô com os olhos marejados de novo.)

E se o Dart Vader fosse um bom pai?

Então... meu filho de 8 anos, que se chama Lugh, resolveu jogar Star Wars. E não entendia bulhufas da estória. Enquanto não consigo todos os episódios da série pra fazer uma noite de cineminha com algo que valha a pena, o padrasto dele e eu passamos o café da manhã inteiro explicando quem era quem.

Daí dei de cara com este post no site Fail Wars , e não pude deixar de lembrar do meu gurizinho, que jura ter o mesmo nome do filho do Anakin (Espero não ter decepcionado ao esclarecer que na verdade o nome dele é de um Deus Celta... ok, ele disse que gostou. Agora sai por aí dizendo que o nome é bretão, patatí, patatá...).

Mas olha só que sarro esta suposição sobre uma boa paternidade do Dart Vader:













quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia da criança


Sim, hoje é dia da criança... FELIZ DIA DA CRIANÇA, AÍ!!!! Quem quiser me dar um presente, pode ser uma Ferrari.

Ah... a foto da Maisinha? Pois é... acho que neste dia, devemos refletir certas coisas. Tem quem goste de falar sobre catástrofes contra crianças. Pedofilia, violência, coisas horrorosas.

Mas daí, indo contra e ao mesmo tempo a favor dos colegas que gostam de escrever, também farei o mesmo. Escreverei sobre a beleza e o sorriso da Maisa, e de como ISSO VEM SENDO VIOLENTADO pela mídia, ou melhor, pelos pais desta guria. 

Neste momento, estou assistindo junto aos meus filhos o especial de dia da criança que o SBT está exibindo. Um encontro entre os palhaços Patatí e Patatá (Um dia escreverei algo sobre eles que vai fazer vocês cairem pra trás... calma, nada de pactos, demônios ou escândalos... é mágoa pessoal mesmo.), Iudi, Priscila e Maisinha.

O problema é que meu filho tem sete anos e se indigna: "Mãe! Quando é que esta guria vai calar a boca????"

E eu: "Quem, meu filho?"

"Esta tal de Maísa, mãe! Ela é chata!!!" E começa a rodopiar fazendo um arremedo de "Bom dia, bom dia, bom diaaaaa... hoje eu estou tããão feliiiiiz..."

E eu comecei a sentir pena da guriazinha. Ela é linda, sorridente e alegre como qualquer criança (Particularmente, adoro crianças - fiz duas!), poderia ser um amor de criatura; mas ao contrário disto, interrompe os colegas que estão falando, passa dançando na frente da Priscila enquanto ela está cantando, numa ânsia em aparecer mais do que qualquer um.

Entendo que a diretora, produtora, voz do além ou sei lá o que do programa Bom Dia e Cia diga que ela é uma princesinha (E é mesmo, todas as meninas são. E os meninos, super-heróis.). Mas tem alguém, ou "alguéns" mal educando esta criança. e isso TAMBÉM É VIOLÊNCIA!

Por favor, alguém avisa a mãe desta menina, que ela está sendo antipazada por muita gente, e que se tem fãs, é por que a mídia fez assim. Quando ela crescer, pode acabar sendo hostilizada até mesmo da emissora que a está transformando em um monstrinho, deus a livre! Eu sei que um dia algum assessor de comunicação vai acabar chegando neste humilde blog, quando procurar pela patroazinha na internet para fazer cliping; e gostaria que soubessem que digo tudo isso com um amor que só as mães sentem, que faz com que tenhamos força para dar uma palmada no bumbum de um filho para avisar que o mundo não é um morango, que ninguém pode tudo, que há limites e que devemos ser pessoas educadas.

Rezo pelo futuro de todas as nossas crianças, e da Maisinha também... principalmente para que a semelhança com a Shirley Temple acabe apenas na aparência física e no talento.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Turma da Mônica na luta contra as drogas

Achei maravilhoso o que li. Muito útil para crianças e adolescentes.
















quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Moradora de rua salva criança de estupro

Das Agências

A Polícia Civil de São Bernardo deteve na última sexta-feira, depois de cinco dias de buscas, um homem acusado de tentar violentar sexualmente uma criança de 4 anos. O crime foi frustrado por uma moradora de rua, que presenciou a agressão e impediu o estupro.

O suspeito era funcionário temporário do hipermercado Walmart, do bairro Ferrazópolis, e viu a criança na seção de brinquedos da loja.

A menina havia saído para fazer compras com a família, mas, no momento da abordagem, estava acompanhada apenas da irmã, de 11 anos.

Depois de tirar a criança do estabelecimento, o acusado a levou para um viaduto em frente ao hipermercado.
Ouvindo pedidos de socorro da menina, a moradora de rua Railane Andressa Silva, 19 anos, avançou com pedras contra o homem.

Os dois travaram luta corporal e, mesmo sendo agredida por um soco no queixo, a moradora de rua conseguiu salvar a criança e fazer com que o homem fugisse.

Na distrito policial, emocionado, o pai da menina agradeceu a Railane, a quem chamou de anjo da guarda de sua filha.

A moradora de rua contou que é mãe de uma menina de três anos e disse que pensou na própria filha quando ouviu os gritos da criança.

O homem detido anteontem já havia sido preso anteriormente por roubo seguido de estupro. As imagens das câmeras do circuito interno de segurança do Walmart ajudaram na identificação do suspeito, que foi também demitido da loja.

"Clipping" do jornal "Diário do Grande ABC"

E agora, pra alívio da torcida, a heroína ganhou da equipe do programa "Mais Você", da Rede Globo, um tratamento pra se livrar das drogas e um monte de possibilidades de ajuda para o companheiro dela, e os moradores de rua que Railane chamou de família, pois foram as pessoas que lhe transmitiram valores como o afeto e a solidariedade.
O interessante é observar os gestos de Railane: é uma menina, que tem nos doces que guarda em um saco plástico, na barraca embaixo do viaduto seu tesouro; e em seu companheiro (Que ela diz que é namorado, e só vai virar marido depois de arrumar um emprego.) que lhe beija a testa o tempo todo, o carinho que diz nunca ter tido dentro de casa.
Infelismente o vídeo ainda não está disponível.